quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Alma e o Sh'má

Quem somos e por que existimos? D'us nos criou para Sua glória. Fomos criados pelas mãos de D'us e existimos para o Seu louvor; contudo Ele nos dotou de livre arbítrio para que pudéssemos louvá-lo expontaneamente, de todo o nosso coração.          

O ser humano é livre para escolher como viverá; e quando ele escolhe servir a D'us e andar em sintonia com a Sua vontade, vive a vida com qualidade elevada e com isso faz bem a sua própria essência, isto é, a sua alma.


Entendamos melhor esta questão:

Segundo alguns estudiosos, a alma é sibdividida em cinco partes:

1) Yechida - É a vontade de D'us em criar o ser.

2) Chaya - É o "ar" antes de ser soprado por D'us.

Estas duas partes acima citadas, não estão internalizadas no ser humano, mas o cercam, emitem "luzes" de inspiração a cada pessoa.

3) Nefesh - É o sopro de D'us.

4) Ruach - Anima o corpo humano (espírito).

O Ruach está ligado ao coração (sentimentos. A fala reforça as emoções, por isso ela é a expressão do Ruach. O Ruach é decisivo da personalidade).

5) Neshamah - É a totalidade da alma.

A Neshamah está ligada à mente humana (entendimento puro, moral, lógica, razão).

Vejamos como tudo isto se conecta:

O pensamento puro internalizado na mente ( Neshamah) é interligado pelo Ruach (coração) que se movimenta constantemente fazendo a conexão com a Neshamah e com a Nefesh (membros). Assim o Ruach (coração) internaliza sentimentos elevados e a Nefesh (membros) gera atitudes em sintonia com este processo conectivo.

Neste sentido, analisemos a importância e profundidade do Sh'má:

D'us diz:

"Escuta Israel! (os ouvidos estão ligados à cabeça, mente - Neshamah) o Eterno é nosso D'us, o Eterno é Um! E amarás ao Eterno, teu D'us, com todo o teu coração (Ruach), com toda a tua alma (Nefesh) e com todas as tuas posses (Neshamah - totalidade). E estarão estas palavras que eu te ordeno hoje, no teu coração (Ruach), e as inculcarás a teus filhos, e delas falarás (expressão do Ruach) sentado em tua casa e andando pelo teu caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. E as atarás como sinal na tua mão (Nefesh - para praticar, ação) e serão por tefilin entre os teus olhos (Neshamah - cabeça, mente, pensamentos) e as escreverás nas mezuzot de tua casa e nas tuas portas (marcar sua casa, sua família - passar de geração em geração)." Devarim 6.4-9


Através do Sh'má podemos refletir sobre a importância dos ensinamentos de D'us para nós e para nossa família. D'us nos deu as mitsvot para nos elevarmos espiritualmente e moralmente para o nosso próprio bem. Demonstramos nosso amor a D'us observando, com prazer, suas mitsvot, as quais são a alegria do nosso coração!                                                   




"Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei; de todo o coração a cumprirei. Guia-me pela vereda dos teus mandamentos pois nela me comprazo. (...) Não tires da minha boca a palavra da verdade, pois tenho esperado nos teus juízos Assim, observarei de contínuo a tua lei, para todo o sempre. E andarei com largueza, pois me empenho pelos teus preceitos. Também falarei dos teus testemunhos na presença dos reis e não me envergonharei. Terie prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo.Para os teus mandamentos, que amo, levanterai as mãos e meditarei nos teus decretos. (...)Baixem sobre mim as tuas misericórdias, para que eu viva; pois na tua lei está o meu prazer. (...)Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! (...) Admiráveis são os teus testemunhos; por isso, a minha alma os observa., (...) Abro a boca e aspiro, porque anelo os teus mandamentos. (...) Puríssima é a tua palavra; por isso, o teu servo a estima. (...)A tua justiça é justiça eterna, e a tua lei é a própria verdade. (...)Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço. Espero, Eterno, na tua salvação e cumpro os teus mandamentos. A minha alma tem observado os teus testemunhos, eu os amo ardentemente. (...) A minha língua celebre a tua lei, pois todos os teus mandamentos são justiça. (...) Suspiro, Eterno, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer."   Tehilim 119.34-35, 43-48, 77, 97, 129, 131, 140, 142, 165-167, 172, 174



HaShem nos convida constantemente, na Torah, a observar Suas mitsvot, as quais não são pesadas, nem inalcançáveis, pois Ele mesmo diz:

"Porque este mandamento que eu hoje te ordeno, não te é encoberto nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem sibirá por nós aos céus, que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Pois a coisa está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para que a observes." Devarim 30.11-14

Para o nosso próprio bem:

" E agora, ó Israel, qual é a coisa que pede o Eterno, teu D'us, de ti? Senão que temas ao Eterno, teu D'us, que andes em todos os Seus caminhos, ames e sirvas o Eterno, teu D'us, com todo o teu coração e com toda a tua alma; que guardes os mandamentos do Eterno e os Seus estatutos que eu te ordeno hoje, para o teu bem."   Devarim 10.12-13

Yeshua citou o Sh'má reconhecendo-o como o primeiro e maior mandamento - Mattityahu 19.17

E o segundo semelhante a este está em Vayicrah 19. 18, o qual Yeshua também citou - Mattityahu 22..36-38

Toda a Torah e os profetas estão baseados nestas duas mitsvot. Nossa vida também deve estar assim baseada para que tenhamos qualidade de vida!

Baruch HaSHem!

Shalom!

Hadassah Chai (Tatiana Calado)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tempo de Restauração!

D'us tem restaurado a identidade de Seu  povo pelos quatro cantos da Terra. Povo que teve sua identidade, ocultada por conta da Inquisição, mas o tempo da verdade ser restaurada chegou e como estou feliz por fazer parte desta geração, a geração da Restauração! De certa maneira este Blog está atuante neste Movimento, pois D'us tem levantado pessoas para mover Seu propósito restaurador na Terra.



Shalom!

Hadassah Chai (Tatiana Calado)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma ''Nova Inquisição'' ?!

Há uma história que muitos não gostam de comentar, nem sequer de ouvir falar, é a história dos judeus e judias descendentes, cahamados B'nei Anussim, que por termos tido nossa identidade judaica ''ocultada'' pela Inquisição fomos tolidos de vivermos nossa fé e cultura de maneira livre e completa! A questão contudo é que, quando descobrimos nossa origem, tudo começa a fazer sentido, passamos a entender melhor o motivo pelo qual nos identificamos com certos costumes judaicos,  o  amor por Erets Israel, o sentimento de familiaridade e prazer no cumprimento das mitsvot, e principalmente, a fé e amor irrestrito ao D'us de Israel, o Criador!


Contudo, muitos judeus e judias que para sua sorte não descendem de famílias que sofreram os resultados da Inquisição e por conseguinte não tiveram seus nomes mudados, nem foram forçados a vierem uma vida ''assimilada'' pelo catolicismo, mesmo que ''aparentemente'', agem de maneira a negar a judaicidade de seus irmãos judeus, e mais, tentam influenciá-los a não dar importância a esta questão, isto é, a sua história! Seria isso uma ''Nova Inquisição''?! ainda que inconsciente, talvez? não proposital..., porém, manifestada tentando matar os sentimentos de uma alma judaica?! D'us nos livre disso! Que o Eterno de Israel cancele tais atitudes e seus maus propósitos. Neste sentido, uma analogia pode ser feita: Assim como os cristãos quiseram ''anular'' a identidade do povo judeu, mais intensamente, nos séculos XVI - XVII, assim também há judeus querendo ''interromper'' o processo de resgate identitário de seu próprio povo, a saber: os descendentes, chamados B'nei Anussim! Tal ''manifestação'' tem se dado de forma sutil em nossos dias, porém esta manifestação não deterá a restauração da identidade judaica dos B'nei Anussim! E o sentimento das almas judaicas não morrerão, mas viverão! e sua restauração identitária será feita a todos os judeus e judias que assim desejarem e aos que D'us quiser que assim se faça, pois que Ele mesmo é quem está a frente de seu povo neste processo restaurador. Aleluiah!

O D'us de Israel cumprirá o Seu desígnio e restaurará todas as coisas, inclusive a história de Seu povo. Esta busca pela restauração está na alma de cada judeu e judia, por isso somente D'us, o Criador tem domínio sobre tal. Nunca vimos em toda a história tantos judeus e judias descobrindo sua identidade e empenhando-se para restaurá-la, aos trancos e barrancos, com ou sem reconhecimento da comunidade judaica ''oficial'', e ainda tendo que enfrentar críticas por toda a parte.

É curioso como tenho conhecido pessoas, que como eu,  têm descoberto sua identidade judaica, e o modo pelo qual a restauração identitária tem sido feita é praticamente a mesma: Aproximação pela fé ao D'us de Israel, o desejo de cumprir as mitsvot por Ele nos dada em Sua Torah, a identificação cultural, os costumes familiares relacionados, os sobrenomes também relacionados, enfim, um conjunto de fatores que somados colaboram para esta restauração. Há um mover de D'us na Terra sobre o povo judeu neste sentido. Baruch HaShem!

Há quem não dê importância a sua história, mas é tipico dos judeus darem importância a sua genealogia, vide as Sagradas Escrituras com seus registros genealógicos! Qual o significado disso? pode alguém perguntar! Digo pelo menos dois que estão interligados por sentido semelhante: O prazer de sentir-se no aconchego de seu lar, como quando alguém que viveu muito tempo longe de casa e retorna, ou como quando alguém que viveu toda uma vida como estrangeiro e peregrino sobre a terra e enfim descobre o caminho de casa!

Shalom!


Hadassah Chai (Tatiana Calado)                 
         !תודה אדוני! אני אוהבת אותך! ברוך אתה אדוני

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Casamento - Uma Mitsvah!

"Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou e se foi. As flores se mostram na terra, o tempo de cantar chega e a voz da rola se ouve em nossa terra."    Cântico dos cânticos 3.11





Vemos pelas Escrituras Sagradas que viver só, não é, nem nunca foi a forma ideal de se viver. O próprio D'us disse:

"...Não é bom que esteja o homem só; far-lhe-ei uma companheira frente a ele."    Bereshit 2.18

D'us criou a mulher por causa do homem, para ser sua companheira; por isso mesmo o celibato não é visto com bons olhos pelo judaísmo:


"Quem não tem esposa, vive sem alegria e sem bênção."    (Talmud, Zebamot 62)

"O solteiro é considerado meio corpo."    (Zohar)


A união entre um homem e uma mulher é uma mitsvah:

"Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma (só) carne."    Bereshit 2.24

Querer casar está em sintonia com a vontade de D'us!

No princípio não havia ritual de cerimônia como temos hoje para o casamento; mas os líderes religiosos instituíram um cerimonial ritualístico para evitar a possibilidade de promiscuidade, sendo esta cerimônia baseada na Torah e na Tradição.     

O casamento é algo instituído por D'us com a finalidade de abençoar a vida cotidiana do homem e da mulher, pois D'us disse:

"...Não é bom que esteja o homem só..."

Vemos nesta pronunciação que D'us se importa com a felicidade e bem estar do homem e por isto criou a mulher. Sendo assim, ambos se completam para serem felizes sentimentalmente.

O homem é um ser social desde o princípio de sua existência e por isso D'us disse:

"...Frutificai e multiplicai, e enchei a terra..."    Bereshit 1.28

 A procriação é algo determinado por D'us. Vemos nas Escrituras Sagradas muitas mulheres orando para conceberem de seus maridos.

Isaac ora por Rebeca para que esta concebesse um filho seu:

"E orou Isaac ao Eterno, em frente à sua mulher, (que orava também) porque era estéril; e atendeu o Eterno, e concebeu Rebeca, sua mulher."    Bereshit 25.21

A concepção é fruto da união entre o homem e sua mulher.

Quando falamos de casamento, logo nos vem à mente o amor. Sendo assim, o que vem primeiro? O casamento ou o amor? Creio que as duas possibilidades ocorrem, pois cada caso é um caso.

Há uma citação curiosa a este respeito na Torah com base na passagem de Bereshit 24.67:

"67 - e amou-a - O rabino Samson Raphael Hirsch destaca a ordem deste versículo: casamento e depois amor. De acordo com a visão judaica, o casamento não é a culminação do amor entre dois seres humanos e sim o início de um verdadeiro amor. (E)"    (Torah p.65)

Curioso notar que Isaac não "namorou" Rebeca, mas uniu-se (casou-se) com ela tão logo chegou ao seu encontro, e assim também foi consolado da morte de sua mãe.

"E saiu Isaac para passear (rezar) no campo, nas horas da tarde; e levantou seus olhos, e viu, e eis que camelos vinham. E alçou Rebeca seus olhos, e viu Isaac (...)  E tomou o véu e cobriu-se. (...) E a trouxe Isaac à tenda de Sara, sua mãe, e tomou Rebeca, e ela foi para ele esposa, e amou-a, e consolou-se Isaac da morte de sua mãe."    Bereshit 24.63-67

Daí vem a tradição na cultura judaica da mulher cobrir a cabeça e a face com  um véu durante a cerimônia de casamento; também o uso da chupah (tenda) para realizar a cerimônia.  

A mulher, na cultura judaica,  tem um papel importante ao lado de seu marido; baseados na passagem de Bereshit 31.4, 5-13, 14-16, os líderes religiosos disseram:

"Se tua mulher é de curta estatura, curva-te e pede-lhe conselho."    (Baba Metsia 59)

É certo, contudo que a última palavra é a do marido, visto ele ter sido instituído por D'us como líder de sua casa.

No episódio do Éden, Adam ouviu Havah quanto a comer da árvore que D'us havia dito para não comerem. Isto nos aponta para um fato: Havah, neste caso, desprezou a liderança de seu marido e principalmente a ordem de D'us, por outro lado, Adam deu ouvidos à Havah, e desprezou também a ordem de D'us. Conclusão: Quando não se respeita a hierarquia instituída por D'us, tudo dá errado.

Não estou aqui julgando Havah, nem Adam pela suas atitudes quando comeram da árvore que D'us ordenou que não comessem, apenas mencionando e analisando à luz das Escrituras os princípios que D'us estabeleceu.

D'us é o líder supremo e o ser humano deve estar subordinado a Ele para que tudo vá bem.

Na hierarquia temos:

1) D'us

2) Homem

3) Mulher

Atualmente, infelizmente, temos visto muitas sociedades aceitando a inversão dos princípios estabelecidos por D'us e por isto vemos tanta desarmonia na vida humana: Mulheres querendo ser líderes em suas casas e algumas vezes maridos se sujeitando a isto. É lamentável tal procedimento! Porém, ainda há um remanescente fiel às Escrituras Sagradas. Quando se tem famílias seguindo os princípios da Torah e respeitando a hierarquia familiar, vemos os resultados: famílias em harmonia!

Não é o caso de vermos a mulher sendo ignorada, ou humilhada por seu marido, como muitos opositores da Torah insistem em assim fazer. Mas, ao contrário disso, que o marido trate sua esposa com carinho e respeito, compartilhando com ela as situações, ouvindo-a como vimos no caso de Isaac e sua família. Contudo, entendamos que a decisão final nas situações é dada pelo marido.

Se as sociedades entendessem isto e assim procedessem, teríamos um quadro melhor do que o que temos visto atualmente entre as famílias de um modo geral.

Um outro aspecto interessante de ser abordado aqui sobre a união matrimonial pode ser analisada a partir da história de Rute, que estando viúva, ouviu os conselhos de sua sogra e escolheu Boaz para ser seu novo marido, tendo em vista a ordenança do casamento por levirato que diz que quando um homem casado morre sem deixar filhos, seu irmão deve tomar a viúva como sua esposa para que, tendo filhos dela, preserve o nome do falecido.

Sendo assim, neste caso, vemos que o parente mais próximo alegou motivos pelos quais se respaldou em recusar tomar Rute como esposa. Boaz, então, realiza a cerimônia de Chalitsah, que dentre outras coisas, descalçou seu sapato, formalizando, assim, a recusa do parente mais próximo e em seu lugar assumindo o direito de se casar com Rute.

A Torah cita:

"...O exegeta Malbim comenta que foi  por isto Naomi ordenou a Rute descobrir seus´pés num gesto que o lembraria de Chalitsah e, desta forma, da obrigação de desposá-la."   (Torah, pp.660-661)

Rute era uma moabita, porém havia aderido ao judaísmo, seguindo portanto ao D'us de Israel, sendo bem sucedida em sua decisão, Rute foi mãe de Obed e bisavó do rei David - Rute 4.21-22

Quando seguimos as mitsvot que o Eterno nos deu, a consequência é sermos abençoados em tudo o que fazemos. Sendo assim, somos também abençoados na vida matrimonial.

Outro caso interessante é a história de Hadassah (Ester), uma judia vivendo em terra estranha, teve sua vida e a de seu povo mudada através de seu casamento. O rei Achasherósh (Assuero), despede sua esposa Vashti por ter-lhe desprezado. Sendo assim escolhe, dentre muitas mulheres, Hadassah, que se torna rainha e arrisca sua própria vida em favor de seu povo. Ao contrário de Vashti, vemos pelas Escrituras Sagradas que Hadassah reconhecia a hierarquia no casamento, sendo respeitosa no trato com seu marido,  e o rei por outro lado, a tratava com carinho e respeito também.

Os princípios básicos para um casamento feliz estão nas Sagradas Escrituras; seguindo-os, as bênçãos de D'us recaem sobre a união!

"As muitas águas não poderiam apagar o amor nem os rios afogá-lo."    Cântico dos cânticos 8.7





Shalom!

Hadassah Chai (Tatiana Calado)